Maurren Maggi comemora a medalha de ouro nas olimpíadas 2008





Pequim (China) - A saltadora brasileira Maurren Maggi é a primeira mulher sul-americana a conquistar o ouro olímpico em atletismo. A primeira medalha de ouro brasileira no atletismo desde 1984. Com a vitória, o Brasil subiu do 32º para o 26º lugar no ranking dos Jogos Olímpicos de Pequim. A atleta ainda não tem dimensão do que isso tudo representa. Neste sábado de manhã, após dormir apenas uma hora, Maurren conversou com jornalistas e confessou: “Ainda não caiu a ficha”.

Maurren contou que foi dormir depois das 4h30 da manhã e deixou a medalha na cabeceira. Acordou chorando. “Estava sozinha no quarto, não tinha com quem dividir isso comigo”, confidenciou. “Foi um momento único e só meu”, completou. Revelou, ainda, que antes da competição recebeu o incentivo do ginasta Diego Hipólito que, apesar do favoritismo, ficou em 6º lugar depois de uma queda na série de solo. “Ele disse vai lá, conquista essa medalha que eu perdi”, contou a saltadora.

Mais do que uma conquista para o esporte, a medalha de ouro de Maurren representa a superação para uma atleta que esteve à beira de abandonar a carreira. Em 2003, às vésperas do Pan-Americano de Santo Domingo, a atleta foi suspensa por doping, por dois anos, devido a um componente de uma pomada cicatrizante. Com isso, ficou de fora dos Jogos Olímpicos de Atenas e decidiu abandonar o atletismo. Teve uma filha, resolveu retornar às pistas e voltou a competir em 2006.

“[A medalha] Significa muito, é dar a volta de uma maneira que nem eu mesma estou acreditando”, disse a atleta. “Voltei para o atletismo em 2006 sem saber se podia continuar saltando seis metros, sabia que tinha que dar o melhor de mim para conseguir sete e sabia que tinha que dar o meu sangue para poder conseguir uma medalha olímpica”, contou. Maurren conquistou o ouro com um salto de 7m04.

A sensação agora, segundo ela, é de alívio. “Alívio por tudo o que aconteceu na minha carreira e na vida pessoal. Nada mais justo do que uma medalha olímpica”, disse. A superação foi possível nas pistas, revelou. “Passado a gente não apaga, a gente aprende com ele”, afirmou.

Questionada sobre o que mudaria na sua vida com o assédio daqui para frente, disse que continuaria sendo a mesma pessoa. “Adora freqüentar shopping”, revelou. “Sei que vai mudar muito para o esporte e isso é o que mais importa hoje. Vai ser grandioso, nosso atletismo hoje está brilhando como nunca”, afirmou.

Maureen contou que em 2001 foi campeã mundial universitária em Pequim – a favorita era uma chinesa. Agora, antes de cada salto no Ninho de Pássaro, pedia palmas de apoio do público e ouvia a resposta de 90 mil pessoas. Por tudo isso, tem certeza: Pequim dá sorte. “Foi como um Pan-Americano grandioso para mim. Minha nova casa é a China.”

Nos próximos meses, Maurren participará de três competições – duas na Europa e uma em Xangai. Depois, quer tirar um mês de férias antes de recomeçar os treinos. A meta: Londres 2012. “Não sei se vou estar na minha melhor forma como estou hoje, mas vou batalhar muito para ir para Londres.”

Para o técnico Nélio Moura, a presença de Maurren nas pistas é um incentivo aos demais atletas. “Quando ela voltou, deu um brilho diferente na pista. Tenho certeza de que as conquistas recentes do nosso grupo, em grande parte, se devem ao retorno dela”, disse aos jornalistas.

Acompanhe a cobertura olímpica multimídia da equipe da Empresa Brasil de Comunicação no site China 2008.

Mylena Fiori

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